Story Mapping. Seu backlog agora é um mapa

Um problema comum em muitos times ágeis é a falta da percepção do produto como um todo, ou, como dizem lá fora, the big picture. Isso acontece devido ao fato de o backlog do produto ser mais útil para sabermos quais são as próximas coisas a serem feitas. Mas e o conjunto da obra? Em que direção o projeto está caminhando?

Outra lacuna nesse processo seria a priorização das histórias:

  • Quais são as features chave? 
  • Quais funcionalidades têm mais valor para o cliente e para o usuário do produto?

Essa última pergunta nos leva a outros questionamentos:

  • Como saberemos o que é mais importante para o usuário final?
  • Como introduzir os requisitos de Usabilidade num processo ágil?

John Travolta confuso

Como qualquer designer, não tenho que ter a resposta para tudo, mas devo saber conduzir atividades que auxiliem a descobri-las. E uma das ferramentas que podem ajudar bastante nesse processo chama-se User Story Mapping.

User Story Mapping é um mapa que organiza as histórias de usuário em um modelo que ajuda a compreender a funcionalidade do sistema, a identificar falhas no seu backlog, e a, efetivamente, planejar releases holísticas que oferecem valor aos usuários e ao negócio a cada versão.

(Jeff Patton em The New User Story Backlog Is a Map)

Ou seja, em vez de empilhar, mapeie!

Diferentemente de um backlog típico, o USM pode:

  • Tornar mais visível o fluxo de atividades e a cadeia de valor de cada história;
  • Mostrar os relacionamentos entre histórias dentro de uma atividade maior;
  • Ajudar a checar a completude do backlog;
  • Revelar um contexto mais amplo do que deve ser priorizado;
  • Ajudar a planejar os releases com mais valor (de negócio) agregado.

Por onde eu começo?

Antes de tudo, reúna os stakeholders, e elabore uma oficina em que todo mundo participa, principalmente o usuário final. É muito comum que nós (desenvolvedores, designers e donos de produto) esqueçamos alguns pontos que só o usuário seria capaz de nos lembrar. Por isso, chame os usuários (sem mimimi)!

Mão na massa

Nessa oficina, distribua os cartões ou post-its e tente identificar quais são as atividades macro, ou seja, um conjunto de funcionalidades (histórias) que serão alinhadas horizontalmente na parede, por ordem de importância (valor). Patton afirma que também é possível fazer esse ordenamento por sequência de operação, como por exemplo, em um e-commerce, a atividade “adição do produto ao carrinho” vem antes de “checkout” e antes de “pagamento”. É possível perceber que, em cada atividade, há diversas histórias de usuário como: pesquisar o produto pelo nome, alterar a quantidade e escolher o meio de pagamento, entre outras.

Debaixo de cada funcionalidade vem as histórias, que são organizadas verticalmente por ordem de importância (as de cima valem mais).

Diagrama de user story mapping

 

Criando releases

Depois de posicionar as histórias, chega a vez de “fatiar” o mapa a fim de estabelecermos os releases do nosso projeto. Geralmente, o primeiro release é o que chamamos de MVP ou Minimum Viable Product, isto é, Produto Mínimo Viável.

Fatiando o user story mapping

Provavelmente, os grandes méritos do USM dizem respeito ao fato de todo o time ter uma noção da importância daquela história no produto como um todo, além da priorização de cada “pedaço”. Outras vantagens dessa ferramenta até já foram citadas aqui, mas não custa repetir:

  • Ajuda a entender, como um todo, o que o sistema faz;
  • Ajuda a entender o que está sendo construindo;
  • Ajuda a fazer um planejamento e entendimento do release;
  • Oferece uma visão mais clara das prioridades e do valor agregado;
  • Por ser uma técnica colaborativa, engaja a equipe;
  • Prioriza os requisitos (histórias) de uma forma ágil;
  • Preenche o abismo entre processo de design e o processo ágil de desenvolvimento.
  • Evita a síndrome do canivete suíço (feature creep) já que as histórias são bem discutidas.

Mais uma coisa:

O mapa não fica pronto e imutável depois da oficina. É natural e saudável que ele sofra adaptações, ajustes, incrementos, mudanças de rumo e melhorias ao longo do projeto.

E você, já usou? Precisa de ajuda para implementar melhor os processos ágeis na sua empresa? Entre em contato e conte-nos sua história. O Synergia possui uma equipe muito bem qualificada em métodos ágeis e altamente disposta a ajudá-lo.

Até mais!

Por Alan Vasconcelos
Colaborador do Synergia