Ágil: adoção, transformação ou ambos?

Quando a organização faz a opção de utilizar metodologias ágeis, rapidamente se descobre que inúmeras e desafiadoras mudanças são necessárias. Por onde começar? Basta adotar um processo? Quando é necessário transformar a cultura? Como se muda a cultura? E agora, o que eu faço?

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Mudar de processo tradicional para ágil é como mudar de religião. Quase todos nós fomos criados tendo uma religião por referência, seja pela influência familiar ou social, e por isso, mesmo que não percebamos, nossos valores, princípios e crenças se baseiam em seu corpo doutrinário. E a vivência de uma denominação religiosa apresenta, também, um conjunto de conceitos, rituais e práticas que nós nos habituamos a eles. Logo, a religião está tão presente na nossa vida, na nossa forma de pensar e fazer, que mudar de uma religião para a outra pode significar uma mudança radical de paradigma, alterando princípios e valores já consolidados, práticas e conceitos já impregnados em nosso modo de pensar e fazer. Entretanto, para quem não tem religião bem definida, a adoção de uma nova religião apresenta menos obstáculos. O mesmo já não acontece para aqueles que já vivenciaram uma religião durante parte de suas vidas.

O mesmo ocorre quando se pretende adotar a Agilidade quando antes era adotado um paradigma tradicional de gestão e realização das tarefas. Essa mudança não se limita à adoção de processos, à definição de novos conceitos, à apresentação de novas práticas e ao estabelecimento, na teoria, de novas formas de fazer e pensar. É preciso apresentar a nova forma de “ver a vida” (ou ainda, “ver o trabalho”), estabelecer um entendimento inicial e realizar mudanças respeitando os valores e os princípios. Em suma, é preciso respeitar a cultura das pessoas e da organização, de forma que a adoção de novos processos seja gradual, contínua e controlada.

Está difícil a mudança? Há conceitos, práticas, metodologias, valores e princípios que não são fáceis de aceitar ou realizar? É justo e natural que isso aconteça. No entanto, se realmente se almeja uma mudança é necessário gerenciá-la: propor, fazer, avaliar, transformar, medir sempre, e nunca esquecer que mudanças exigem tempo e perseverança.

Por Luiz Luz
colaborador do Synergia